VELHO CARREIRO

VELHO CARREIRO

Velho carreiro

Com a voz rouca e cansada

Conversando com a amada

Que a muito o acompanha.

Fica com os olhos

Marejados quando fala

Das viagens que fazia

Lá pras bandas do Ariado.

Patos de Minas

E Presidente Olegário

Fazem parte do cenário

Que o carreiro percorreu.

Entre veredas

E campinas verdejantes

Cortando vales e montes

Do grande estado mineiro.

A velha sede

Da fazenda abandonada

Lá na baira da estrada

Era ponto de pousada.

Todas as noites

Os carreiros se ajuntavam

E contavam as proezas

De mais um dia na estrada.

Tudo parece

Para ele estar voltando

Em um filme retornando

As lembranças de passado.

A imagem viva

Dos momentos lá vividos

Junto com os velhos amigos

Vai aos poucos machucando.

Não adianta

Nada muda em sua história

Os momentos de outrora

Só existem nas lembranças.

E recordando

Vive o seu dia a dia

Por que o fim da sua vida

Já está chegando a hora.

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NÃO FOI DESTA VEZ

NÃO FOI DESTA VEZ

 

Não foi desta vez

Que falei

Ao teu ouvido

A minha vida.

Não foi desta vez

Outra vez

Tive minha voz

Interrompida.

Por mais uma vez

Unificarmos

Nossos desejos

Num só beijo.

Por mais uma vez

Fizemos tudo

Proibido

No paraíso.

 

Você não imagina

Como estou sentindo

Após fazer amor.

Naquele instante

Esqueci de tudo

Até mesmo quem sou.

Se puder eu quero

Repetir de novo

Tudo com você.

Aquele amor gostoso

Que me deixou louco

Louco de prazer.

 

 

MALDITA SAUDADE

MALDITA SAUDADE

 

Saudade maldita saudade

Dizem que tu és passageira

Mas não posso acreditar

Por susa do mal  me faz.

 

Desde quando em mim fez morada

Que a minha vida mudou

Eu que era feliz

Veja como extou.

 

Tem coisas da minha infância

Que o tempo não pode apagar

Como o velho carro fe boi

Que a muito tempo se foi.

 

O som do acordeon

Nas madrugadas em festas

Distante o cantar do galo

Ecoando pela floresta.

 

Se eu pudesse mudar

A vida triste que levo

Faria o caminho de volta

Pra o meu querido Rincão.

 

Beijaria a terra vermelha

Que a muito me viu nascer

Onde papai e mamãe

Viram teu filho crescer.

PARÓDIA DO RIACHO DO NAVIO

PARÓDIA DO RIACHO DO NAVIO

 

Ribeirão Anicuns

Escorre pro Meia Ponte

E o RIO Meia Ponte

Para o Paranaíba

Levando águas de esgotos

Sujas e poluídas

Laiá Laiá laia Laiá Laiá

Levando águas de esgotos

Sujas e poluídas.

 

Rá se eu fosse um peixe

Nessas águas poluídas

Voltaria pra Goiânia

Minha cidade querida

Pra ver a juventude

Pelos bares da vida.

Laia laiá laia laia laiá

Pra ver a juventude

Pelos bares da vida.

 

Bebendo cachaça

Wisck e cerveja

Cantando e dançando

Música sertaneja

Até alta madrugada

Sem se preocupar

Laia laiá laiá Laiá Laiá

Sem se preocupar

Se o amanhã vai chegar.

 

Sem se preocupar

Se o amanhã vai chegar.

Sem se preocupar

Se o amanhã vai chegar.

EXPURGO URBANO

EXPURGO URBANO

 

Qual é a lógica?

Qual é a lógica?

A lógica da lógica

É o rico ficar mais rico!

E o pobre ficar mais pobre!

 

Se liga meu irmão

Para não se enganar

Com o amanhã dos chamados

Excluídos sem guarida

Sem teto e sem vida.

 

Para que possas saber

Do que estou falando

Não precisa ser formado

Em sociologia

E nem economia.

 

Basta prestar atenção

Nos detentores do poder

Que decidem por você

Sem a tua opinião!

Vejam que ilusão.

 

Qual é a lógica?

Qual é a lógica?

A lógica da lógica

É o rico ficar mais rico!

E o pobre ficar mais pobre!

 

E como pobre ser expulso

Da periferia

Da periferia

Para a periferia

Da periferia.

 

Expulso pelos latifundiários

Vejam só que maravilha

O tal expurgo urbano

Para os gananciosos

Que pensão a própria vida.

 

Que maravilha!

Que maravilha!

Que maravilha!

Que maravilha!

COM POEIRA E TUDO

COM POEIRA E TUDO

 

Aqui eu passei

De braços dados

Com você

Falei de amor

De tudo que eu tinha

Pra lhe oferecer.

 

Tive desenganos

Mesmo lhe dando

Do amor o prazer

Aí descobri

Que o amor é infinito

Enquanto existir.

 

Sai por aí

A procura de algo

Que não perdi

Esperando que a vida

Mostrasse o caminho

Certo a seguir.

 

O tempo passando

Poeira assentando

E eu a esquecer

O som do delírio

Soando no ouvido

Cheio de prazer.

 

Quando a luz Divina

Com todo carinho

Cobriu-me com um véu

Mostrando que a vida

Com ideal

Tem sabor de mel.

 

Esqueci-ti de um jeito

Que agora em meu peito

Não existe dor

E desejo a você

Muita felicidade

Sem guardar rancor.

SONHO AO REVERSO

SONHO AO REVERSO

 

Meu coração

Sentiu nele uma pancada

Meus olhos encheram d’água

Minha voz intercalou.

 

Quando ouvi

Notícias desagradáveis

As rádios anunciavam

A paz do mundo acabou!

 

Jardim do Éden

Deixou de ser paraíso

Por que o povo em guerra

Expulsou Mashia de lá.

 

Os verdes Campos

De repente transformaram

Em campos de batalha

Fumaça preta no ar.

 

Todas as águas

Ficaram avermalhadas

Com o sangue da humanidade

Que começou a jorrar.

 

A minha voz

Até que em fim voltou

Trémula como nunca esteve

E comecei a gritar.

 

Meu Deus do céu

Eu te peço por favor

Acabe com a violência

Deste povo sofredor.

 

E quanto a àqueles

Que provocaram a guerra

Elimine-os da terra

Deixe aqui somente amor.

 

O meu pedido

Foi ouvido e atendido

Fumaça preta acabou

E o azul do céu voltou.

 

Todas as águas

Que ficaram avermelhadas

Voltaram a sua cor

Sua cor incolor.

 

Mas eu queria

Um pouquinho mais de sonho

Pra ouvir todas as rádios

Anunciando o amor.

 

Obs.:  Hebraico, Mashia = ungido.