MÚLTIPLAS EXISTÊNCIAS

O poeta, ao ler Fernando Pessoa, por ser ele, uma das suas referências poéticas. Ficou a questionar, algumas das suas ações. Não no sentido, penalizando-o! E sim, para entende-lo melhor, em relação aos seus heterônimos, e porque ele na época, explorando a literatura poética, falou tanto da navegação marítima e do comércio.

Ao fazer esses questionamentos, o poeta descobriu que entre eles, existem algumas semelhanças, ao manifestarem-se, como produtores literários. Fernando Pessoa, na sua inquietação, a encontrar formas de vidas, relatou situações marítimas comerciais, vividas pelos navegantes, em autos-mares. Possivelmente, não só nas viagens reais, mas também nas viagens imaginárias, ele percebeu que vivia personagens distintas, nas suas narrativas. Aí vieram os heterônimos.

O poeta por sua vez, viaja no oceano político, buscando entender este complexo mundo, de desvio de personalidades, em que a manutenção da dignidade, por poucos têm o devido cuidado. Diante das influências por ele sofridas, o poeta vivendo os conflitos, que enfrenta no dia a dia, descobriu, ser constituído por vários eus, dos quais está sempre a falar, na construção das suas narrativas. Assim a literatura poética, há muito vem narrando, situações da vida humana, na diversidade dos seus seres. Como também na dos seus produtores, nas suas múltiplas existências e experiências.

Autor: Ademildo Teixeira Sobrinho