VIVENDO E APRENDENDO

VIVENDO E APRENDENDO

Em noites vividas… Idas…
Recheando o singular passado
Momentos vão e distanciam-se
Como fragrâncias pelo vento levadas.

Se eu tivesse palavras que descrevessem
O que é o singular passado
Certamente eu diria que ele
É um baú onde histórias são guardadas.

Quem me deras se eu tivesse poderes
Para conhecer todas elas
Com seus autores e atores
Muito nelas eu iria aprender.

Percorrendo o imenso passado
Conhecendo suas bifurcações
Creio que eu iria saber as rasões
De hoje eu ser quem eu sou.

Por mais que eu tenha o entendimento
Que sou estudioso da vida
A única certeza que tenho
É que dela pouquíssimo sei.

Nela Vivendo e aprendendo
Seus segredos na sua rotina
O muito que da dela eu sei
Não abrange a extensão da minha vida.

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CONSILIAR DIVERGENCIAS

Qual é a melhor forma de vida?
Ser desprovido de senso crítico?
Ou tê-lo e dele fazer uso
Manifestando opiniões próprias?

Como se fosse assim a vida
Imaginando ter o domínio dela
O cidadão anda sempre a flutuar
Sem persepção da realidade.

Talvez a melhor forma de vida
É ser cidadão desprovido
Que deixa a ela o levar
Conforme os ventos soprarem.

Por certo o desprovido da crítica
Vive em paz com ele e com os demais
Devido ao fato de para ele
Tanto fez, como tanto faz.

Enquanto os que o têm
Imaginam ter discernimento
Funcionando cem por cento.
E que nunca serão falhos.

Mas quando cai na real
De ser passivo de erros e acertos
A pose de sabio caí… E segue
Esbarrando nas incertezas.

Assim a melhor forma de vida
Pode não ser uma e nem a outra.
E sim a vida que o propicia
Consiliar divergências expondo-as.

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MUTAÇÃO DA MATÉRIA

Um dia diante de um sujeito
De aparência simples e desvalida
Fiquei maravilhado ao ouvi-lo
Falar as suas experiências.

Ele disse a vida é água que segue
Trajeto surpresa destino ao mar
Hora ela está em calmaria
Em meio as veredas e planícies.

Mas quando menos se espera
Ela entra em turbulência
Em leitos que suas sequências
Dessem os decliveis das serras.

Formando cascatas e cachoeiras
Em meio as pedras e ribanceiras
De barrancos verticais que fecham
Os espaços onde elas passam.

Como se fossem gargantas
A água a degustarem
De repente livres novamente
Ganham leitos sem obstáculos.

Cortando matas elas seguem
Curtindo as sombras das árvores
Na imensidão da floresta
Até chegarem ao mar.

No mar elas misturam-se
Alterando seus sabores
Águas doces em salgadas
Misturadas pelas ondas.

Assim também é a vida
Dos seres humanos ao morrerem
A partir dos seus nascimentos
Na turbulência da ida sem volta.

Essa ida é como a das águas
Seguindo em direção ao mar
Por mais que tentam voltar
De entre os mortos não conseguem.

Eliminando assim a presença
Da estrutura física da matéria
Transformando-a em pó
Não identificado entre os demais.

Assim é a eternidade
Na dinâmica da sua rotina
A longevidade do “ser”
Não está na mutação da matéria.

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EXEMPLOS DA FORMAÇÃO POLÍTICA

EXEMPLOS DA FORMAÇÃO POLÍTICA

A contemporaneidade
Da política partidária brasileira
Na sua atuação sistêmica
Mostra-nos as contradições
Quando se fala cobrando
A indispensável formação política
Para os novos militantes.
Essa cobrança remete-nos
A então política partidária
Tida como politicamente correta.

Ao refletirmos nas ações
Da política contemporânea
Chegaremos à conclusão
Que ser político doutrinado
Nas formações partidárias
Induz a perpetuação das ações
Contidas nas entrelinhas dos discursos
De forma que as entrelinhas tenham
Mais poder duque as propostas
Explicitadas na dinâmica da fala.
Isso além de o tempo das realizações
Das promessas proferidas
Não cumprir o tempo prometido
E programado para a realização.

O fato é que o tempo na sua dinâmica
Não obedece o querer humano.
Quando o tempo da vontade humana
Para o atendimento das demandas
Atende exclusivamente o desejo
Dos protagonistas da gestão.

Desta forma a mão dupla
Da execução das promessas
Para os então direitos humanos
Em uma das pistas tem o trânsito
Interrompido bruscamente
Expondo assim a formação política
Alienada e doutrinada
Com base no vêm a mim os proventos
E a ilicitude da sua prática.

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EMBATE DOS CONFLITOS

Como seres humanos que somos
O erro faz parte da nossa natureza.
Não que a sua prática seja certa
É que humanamente é impossível
Devido a dimensão em que vivemos.

Impulsionados pela inquieta natureza
Estamos intuitivamente a buscar
O aperfeiçoamento que irá nos levar
Ao sonhado status de seres perfeitos
Vislumbrando o amanhã que virá.

Para que nele sejamos perfeitos
No modo de agir e de falar
Interagindo com um, ou mais…
Convictos que assim percebemos
O quanto evoluímos e somos.

Enquanto o aperfeiçoamento não vem
Estabelecendo nas nossas essências
A individualidade dos nossos saberes.
E o respeito pelo qual devemos ter.
Os atritos divergentes são naturais.

Como a quantidade de grãos de areia
Na amplitude da imensidão do mar
A coerência tem que manifestar
Nos momentos críticos das nossas vidas
Para no caminho da paz trilharmos.

A semântica do vocábulo “coerência”
Cobra-nos sabedoria e retidão
Para a resolução das demandas
Que estão a nos desafiar
Em todos os momentos da vida.

Para termos a devida certeza
Que o que não desejamos á nós
Jamais iremos praticar ao próximo.
Sendo omissos, ou aprovando por ser
A coerência indispensável à vida.

O embate dos conflitos dialogando
Viabiliza o frutífero entendimento.
E não podemos esquecer que jamais
Podemos adimitir a imposição do “eu”
Prevalecendo como dono da razão.

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PROMESSAS DISCURSIVAS

Devido ao fato de vivermos em uma sociedade
Elitizada e distribuída desigualmente
Em camadas sociais distintas excludentes
As ações que contemplam as elites
Não contemplam as classes excluídas
Por meio dos objetivos traçados e premeditados
Para fomentar os bolsos dos que mais têm.
Deixando assim as classes excluídas
Sobrevivendo sem como, à margem da vida.

Assim os sujeitos das classes excluídas
Diante das demandas da sobrevivência
Mesmo eles sendo o destino dos fomentos
Que seguem caminhos diversos
Menos os que os leva à eles. Ainda assim
Cultivam dentro de si o desejo buscando
Dias melhores para si e seus familiares.
Fundamentadas nas promessas discursivas
Que pretenciosos aos cargos eleitorais
Proferem no decorrer das campanhas.

Pretenciosos esses que ao falarem
Repetem sempre as mesmas promessas
Por ser elas prometidas e não cumpridas
Quando eles estão no poder.
Devido a prioridade dos seus objetivos
Não ser exatamente a questão social
E sim, ser um dos privilegiados
A decidirem o destino da nação
Como um dos detentores do poder.